Terça-feira, 12 Março 2019
Ultimamente tem aumentado o interesse no tema dos nutracêuticos, vulgarmente chamados suplementos alimentares. Quem mais beneficia e quais riscos associados costumam ser as perguntas que mais recorrentes.
Teoricamente uma alimentação equilibrada e diversificada contém quantidades suficientes de todas as vitaminas e minerais, para suprir as nossas necessidades diárias. No entanto, há casos específicos em que se justifica a utilização de um suplemento vitamínico/mineral, como por exemplo em:
Pessoas com uma alimentação desequilibrada;
Idosos;
Praticantes de uma alimentação vegetariana que exclua todos os produtos de origem animal (têm normalmente carências em vitamina B12, ferro e calciferol, e devido à elevada ingestão de fibra alimentar, diminuem a absorção intestinal de algumas vitaminas e minerais);
Períodos específicos de necessidades acrescidas, como sejam: gravidez, amamentação e infância;
Pessoas que tomam determinados medicamentos que podem diminuir a absorção de vitaminas;
Pessoas que sofram de uma patologia específica, ou que tenham traumatismos graves, ou que tenham sido submetidas a uma grande cirurgia;
Pessoas que são alimentadas por via intravenosa, ou por intubação nasogástrica;
Pessoas em regimes de emagrecimento (hipocalóricos) durante vários meses (ou mesmo anos), têm frequentemente carências em vitaminas e minerais;
Atletas – aqui considera-se atividade física intensa de pelo menos 4 horas por dia - que necessitem de aportes calóricos elevados (superiores a 4500 Kcal), pois para atingirem estes valores, comem, geralmente, muitos alimentos refinados e ricos em glúcidos de baixo índice glicémico (pobres em vitaminas e sais minerais). Deste modo, o aporte de vitaminas e sais minerais nem sempre é diretamente proporcional ao aporte calórico total do atleta. Podem existir necessidades acrescidas devido ao aumento da sua eliminação no suor, urina, fezes e por adaptação bioquímica ao próprio exercício físico.
Chamadas de atenção
Os suplementos têm a vantagem de poder assistir (e não substituir!) uma alimentação saudável, equilibrada e variada. No entanto, certos suplementos vitamínicos e/ou minerais, quando tomados em excesso, podem ser prejudiciais, ou até mesmo possuir um efeito tóxico.
A administração muito prolongada destes produtos pode causar desequilíbrios nutricionais, pois algumas vitaminas e sais minerais competem em termos de absorção intestinal, podendo a sua assimilação ficar comprometida (ex.: grandes consumos de vitamina A e ferro, diminuem a assimilação de zinco).
Há que ter em conta que o consumo excessivo de micronutrientes inibe a assimilação desse mesmo micronutriente, devido à saturação do seu recetor/transportador.
O melhor modo de tomar estes produtos é fazê-lo juntamente com uma refeição completa de modo a otimizar a assimilação.
Os suplementos jamais serão um substituto alimentar! A administração, ou não, de suplementos deve ser bem ponderada e com base num aconselhamento profissional, de modo a não se correr o risco de défices/excessos vitamínicos e/ou minerais.